terça-feira, 21 de agosto de 2012

Um brinde a criatividade, e que criatividade!

Apesar do álbum ser relativamente antigo, de 2011, me surpreendeu de um modo tão cativante que não pude deixar de falar sobre e compartilhar aqui no blog.

Estava um dia ouvindo a rádio despretensiosamente no carro, e me deparo com o hit "Somebody that I used to know", que me faz voltar aos bons tempos do glam rock dos anos 70 e 80. Procurando seu vídeo no Youtube vejo que é muito bem feito (confira o vídeo mais abaixo).

O álbum "Making Mirros" do artista belga-australiano Gotye é uma aula de criatividade musical. Ele possui uma produção ímpar, impecável. Pesquisando sobre sua carreira, descobri que o cantor é multi-instrumentista e seus álbuns são de gravadoras independentes, caminho que atualmente está cada vez mais sendo trilhado pelos artistas devido a força da internet, redes sociais e a crise das gravadoras.

A voz do Gotye é enérgica e afiada, totalmente compatível com a proposta do seu projeto, que procura utilizar todo o poder do pop de uma forma mais progressiva e de vanguarda. Além disso, compõe musicas sem se preocupar em seguir uma trilha definida. Se faz de ambientes e instrumentos distintos, muito bem aplicados em cada composição. Me faz lembrar de compositores de forte calibre como Paul McCartney, Sting e Freddie Mercury. Este último posso dizer que possui forte influência no trabalho.

O álbum abusa primorosamente de vários ritmos, como o Reggae "State of the Art" e o pop alá George Michael de "In Your Light". O arranjo dos órgãos em "Smoke and Mirrors" junto com a batida, baixo e metais dá um tom sexy e vivo, terminando com um frenesi de batucadas. A musica "Save me" possui um coral estilo africano criando um clima comovente a todos os ouvintes. Um brinde ao bom som, um brinde à criatividade, e que criatividade! Recomendo que ouça já este álbum, corra! (5 estrelas)


domingo, 3 de junho de 2012

Mais humilde e menos pop do que de costume


É pessoal, estou de volta depois de um bom e longo tempo sem escrever sobre música.

Nada melhor do que sacudir a poeira deste recinto falando de um dos meus preferidos artistas da atualidade. John Mayer voltou mais simplista e intimista do que nunca. Depois do aclamado álbum Battle Studies (2009), ele, de alguma forma, tenta retomar um pouco do espírito folk do primeiro álbum, porém menos pop do que do costume.

A primeira do novo álbum "Born and Raised" (2012) chamada "Queen of California" já demostra sua nova fase onde valoriza riffs de guitarra menos elaborados, batidas mais simples e um clima menos envolvente do que costuma ser. "Shadow Days" retrata seu momento: "Eu sou um bom homem, com um bom coração, tive tempos difíceis e um início arduo...meus dias obscuros se foram", provavelmente uma renovação de sua carreira musical e pessoal, bastante agitada por sinal.

É evidente a sua posição, ao longo do tempo, de querer se distanciar do universo pop e juntar aos seus grandes ídolos do blues. Ele tenta refletir isso na sua música da melhor forma possível. John Mayer é um dos poucos artistas da nova geração que podem se dar a esse luxo pois sabe elaborar baladas românticas tão bem quanto invocar solos de blues a nível de seus ídolos.

E por falar em ídolos, um dos seus "padrinhos" Eric Clapton já declarou em entrevistas que ele é uma das grandes promessas da música americana e não tenho nenhuma dúvida disso. Apesar de não ser um dos seus álbuns mais inspirados,  vale a pena ouvi-lo com carinho. Baladas empolgantes como "Something like Olivia" e "A Face to Call Home" valem o "ingresso" desta viagem musical ao mundo do blues, folk e uma pitada de pop.  (3 estrelas)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Kings de volta mais maduro e sombrio

Nota 4*

O grupo volta em 2010 com um trabalho bem fiel ao último álbum, porém com notas mais melancólicas do que nos últimos trabalhos. A batida inicial e marcante da faixa The End do novo álbum Come Around Sundown dita o conceito do álbum. O trabalho como sempre é competente,  seu estilo único de folk- rock deixa tanto um casal apaixonado quanto um rebelde satisfeitos. Isso é incrível, intrigante também, pois poucas bandas conseguem captar isso.

A faixa Pyro é uma das grandes promessas do álbum. Mescla uma balada envolvente com o grito explosivo do vocalista Caleb Followill no verso “Want you love, can you feel it?”. Back Down South faz os ouvintes voltarem ao tempo inicial da banda que puxavam o folk como ritmo predominante, e também faz parte da própria infância dos irmãos da banda.

Faixas como Mi Amigo e The Immortals deixam evidente a qualidade sonora dos caras, que sabem encaixar as linhas de baixo, bateria e guitarra como ninguém e não deixa o som arranhado e barulhento como em muitas bandas, que não sabem dosar isso.

A banda pela primeira vez marcou presença no Brasil no festival SWU em São Paulo. A reação do publico foi bem dividida, mas o fato é que eles não fazem feio ao vivo. Esperamos logicamente que voltem mais vezes, e quem sabe no Rio na próxima.

Recomendo o som a todos ouvintes e amantes de música. É uma ótima refeição aos ouvidos! Boa música!

*Minimo 1 máximo 5

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

De volta e pra ficar. Falando um pouco de música e cultura no Brasil...

Pessoal,

Estou de volta após 3 anos no limbo e volto pra fazer uma das coisas que mais gosto nas horas vagas: escrever sobre música. Atualmente vejo muita coisa nova rolando, muitas e muitas delas ruins, mas não podemos esquecer o que de bom vem no mercado, seja no meio convencional (mídia) quanto no alternativo (pesquisas na internet e referências de amigos).

Estou aqui para passar informação, um pouco de cultura musical, questão que no Brasil hoje sempre está em falta, e estou aqui fazendo minha parte.

Vejo que o ganha pão de música hoje no Brasil são para privilegiados, seja em cima de um palco quanto para os redatores, produtores, cartolas que vivem em função dela. O mercado ainda é muito mal remunerado, já comparando com EUA e Europa, onde existem incentivos financeiros do governo mais fortes e atuantes.

Sempre quis trabalhar com música, seja no palco quanto num escritório de redação, mas desanimei principalmente com a questão financeira. Espero ainda estar vivo para ver músicos que não estejam vinculados na mídia ganhando sua grana de forma digna e plenamente sustentável, ou seja, com toda a segurança legal que um empregado com carteira possui hoje.

Estou de volta pra ficar, tentando passar novidades musicais que agradem e façam os leitores enxergarem novos estilos, dantes desconhecidos em seu universo, mas que façam parte futuramente da sua cartilha de músicas diárias.

Saudações e boa música!

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Mais pop e menos rap-metal

Uma das bandas americanas mais queridas do cenário mundial está de volta com o álbum "Minutes to Midnight" após 4 anos sem lançar trabalho inédito.

Os integrantes pós turnê com a parceria de Jay-Z tocaram projetos paralelos, o mais evidente foi o do co-vocalista Mike Shinoda, que lançou o nome "Fort Minor" no mercado satisfazendo um desejo particular de explorar mais o seu lado rapper. O álbum chamado "The Rising Tied" teve como produtor executivo Jay-Z, aproveitando parceria já bem explorada com o Linkin Park, e convidados de peso como Common and John Legend. O álbum foi bem aceito pela crítica.

De volta a questão principal, a banda mantém a fórmula com baladas de peso e refrões explosivos executados pela voz estrondosa de Joseph Hahn. Uma observação: O grito que ele dá na segunda música "Given Up" da uma angústia tremenda, a garganta seca e a respiração para. O que fica evidente é que Shinoda fica um pouco mais fora de cena com suas frases "rapperas", se contentando com as guitarras.

Mesmo com as mesmas gritarias de sempre o rock está menos nervoso que nos trabalhos anteriores, evidenciando o apelo mais pop da banda para as baladas, que dominam e destacam o álbum. Os fãs não vão sentir tanta diferença porque no final é tudo farinha do mesmo saco.

Destaque para as baladas "Shadow of the Day" e "Leave out All the Rest" e as nervosas "What I've Done" e "No More Sorrow".

NOTA DO AUTOR: 3*

*1 - Ruim
2 - Razoável
3 - Bom
4 - Muito Bom
5 - Imperdível

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Ainda há esperança no hip-hop americano

Trata-se da banda Gym Class Heroes e do álbum As Cruel As School Children.

Confesso que nunca tinha ouvido falar dessa banda em lugar nenhum, ainda mais com um nome estranho desses, mas eu sou do tipo de pessoa, que quando escuto uma música que "me fisga" eu me interesso logo em descobrir o resto do trabalho da banda. Foi assim com essa. Estava vendo MTV quando começou a passar o clipe do single Cupid's Chokehold, que é um remake da clássica Breakfast In America do Supertramp. Essa música, por sinal, é de um single, e não está no CD supracitado.

Ao ouvir o álbum tive uma belíssima supresa, e um som muito bem trabalhado e nada óbvio como as porcarias que representam o hip-hop atual americano: carrões, jóias ridículas, mulheres com pouca roupa e milionários idiotas que pensam que são bandidos.

O som que o GCH faz é bem mais orgânico, com muitos instrumentos, e com a batida produzida por uma bateria de verdade, ao invés de pegar tudo do computador. É o tipo de banda que consegue fazer um show de hip-hop sem ser aquela coisa triste de um DJ ao fundo, três inúteis dançando e um cantando.

As músicas fazem bastante referência ao disco dos anos 80 e ao som funky dos anos 60 e 70 com algumas pitadas de guitarras bem maneiras herdadas do rock. As letras são variadas e não falam apenas dos temas boçais que permeiam musicas de 50 Cent e cia.

Pra quem curte hip-hop, alguma coisa de Arrested Development, e como eu, estava sem ouvir nada de interessante nessa linha desde Orishas, eu recomendo, vale a pena.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Nervosinho bom


Queen of the Stone Ages já passou aqui no Brasil pelo Rock in Rio III e tornou-se por aqui bastante polêmica depois que o antigo baixista Nick Oliveri entrou no palco completamente nú, onde apenas o baixo o cobria. A partir dai, surgiu, no mínimo, uma certa curiosidade do público, e principalmente a do autor desse comentário, a conhecer mais sobre a banda.

A história em torno da banda começa quando o lider/vocalista/compositor Josh Homme abandona a banda Kyuss em 1995 e decide entrar em turnê com os amigos da banda Screaming Trees, como guitarrista base. Após a turnê, surge uma mega compilação denominada "Desert Sessions" onde Josh convida membros do Soundgarden e da própria Kyuss para participar.

Em 1997, Josh une-se o antigo baixista da Kyuss, Nick Oliveri, para formar a banda, o próprio acaba sendo peça chave para seu início e evolução, como co-compositor e co-vocalista da banda. Junto ao time entra o baterista Alfredo Hernandez e o tecladista/guitarrista Dave Catching.

A banda com o tempo vai reunindo parcerias de renome como os músicos Van Conner(Tree's), Matt Cameron (Soundgarden), Mike Johnson(Dinosaur Jr.'s) e mais tarde uma feliz parceria com Dave Grohl, do Foo Fighters, que resultou no ótimo e porque não o melhor álbum da banda: "Songs for the Deaf" (2002). Dave participa do processo criativo, assume as baquetas e sai em turnê com o QOTSA no ano seguinte.

O grupo, que não conta mais com o Nick, já possui 6 compilações, e com o trabalho novo "Era Vulgaris"(2007) tenta reafirmar o que perdeu um pouco no trabalho anterior "Lullabies to Paralyze"(2005): peso, irreverência e imprevisibilidade. Pois bem, felizmente consegue desempenhar esse papel e com a música de trabalho "Sick Sick Sick" mostra um nervosinho enjoado... enjoado de desgrudar do ouvido.